Abril – 50 anos da Revolução dos Cravos

4/4-4/5 – EXPOSIÇÃO Portugal, da Ditadura ao 25 de Abril

9/4 – FILME Manga d’Terra | Praha

10/4 – FILME Manga d’Terra | Vrchlabí, Šumperk

16/4 – MÚSICA Zeca Afonso e a canção de intervenção

18/4 – FILME 48

25/4 – FILME + PALESTRA Salgueiro Maia – O Implicado


Exposição

50 passos para a Liberdade

Portugal, da Ditadura ao 25 de Abril

4 / 4 – 4 / 5 | Instituto Cervantes, Na Rybníčku 536, Praha

segunda-sexta 10-19h, sábado 10-13h

Esta exposição é uma iniciativa da Comissão Comemorativa 50 anos do 25 de Abril, em colaboração com o Camões – Instituto de Cooperação e da Língua, que tem como objetivo promover um maior conhecimento da história recente de Portugal, retratando os últimos anos da ditadura e os primeiros momentos depois do seu derrube, abrangendo o intervalo temporal entre setembro de 1968 e julho de 1974.

Na evocação da Viragem Histórica que o 25 de Abril representou, pretende-se celebrar a conquista da liberdade e a construção da democracia, dando a conhecer o passado mas também perspetivando o futuro. 

O programa da Comissão Comemorativa 50 anos 25 de Abril tem por base dois eixos estruturantes – a memória e o futuro – constituindo uma experiência comemorativa assente nos princípios e valores subjacentes ao Programa MFA: paz, liberdade, democracia e progresso. Reflete o carácter plural e multifacetado da democratização portuguesa, recordando o papel de vários atores sociais, políticos e culturais no caminho que conduziu ao fim da ditadura e à construção da Democracia. Revisitando o passado, é possível pensar o futuro. 

Com esta exposição, a Comissão Comemorativa 50 anos 25 de Abril pretende evocar e divulgar, junto dos mais jovens, a história do 25 de Abril. Selecionaram-se 50 acontecimentos relevantes do período que medeia entre a tomada de posse do último Presidente do Conselho do Estado Novo, Marcelo Caetano (28 de setembro de 1968), e a publicação da lei 7/74, de 27 de julho, pela qual Portugal reconhece o direito dos povos coloniais à autodeterminação e independência.  

O período contemplado foi fértil em acontecimentos que marcaram determinantemente a história do país. Na seleção levada a cabo, teve-se em conta a necessidade de retratar uma época nas suas diversas dimensões, ainda que se tenha valorizado a vertente político-institucional.

A exposição  ficará patente ao público  na Sala de Exposições do Instituto Cervantes de Praga, Na Rybníčku 536, 120 00 Nové Město,  de  4 de abril de 2024 a  4 de maio de 2024, no seguinte horário: segunda a sexta-feira, das 10h00 às 19h00, sábado, das 10h00 às 13h00.

Exposição será apresentada na versão em língua portuguesa com tradução para checo.

A programação de acompanhamento incluirá:

Entrada livre.


Filme

Dias do Cinema Europeu

Manga d’Terra

9 / 4 | 20h45 | Kino Světozor, Vodičkova 791, Praha

10 / 4 | 17h | Kino Střelnice, Vančurova 378, Vrchlabí

10 / 4 | 17h30 | Kino Oko, Masarykovo nám. 1170, Šumperk

Manga d’Terra é um filme sobre Rosa, de 20 anos, que deixa Cabo Verde, mudando-se para Lisboa, na esperança de proporcionar uma vida melhor aos seus filhos. Entre o assédio dos chefes gangsters e a violência policial, Rosa tenta encontrar conforto nas mulheres da comunidade e na música.

Nota do realizador: Com Manga D’Terra, quis prestar homenagem às mulheres do bairro da Reboleira através de um musical que revisita os sons cósmicos de Cabo Verde.

Mais informações no site do festival


Hudba

50 anos de 25 de abril

Zeca Afonso e a canção de intervenção

16 / 4 | Instituto Cervantes, Na Rybníčku 536, Praha

A partir da arte, da composição lírica e da música, Zeca Afonso expressou a sua indignação em relação ao estado do país, fazendo-o de forma tão subtil que foi fintando a austeridade da censura. Após a queda do regime, manteve-se firme e vincou as promessas de Abril, que asseverou até 1987, ano em que faleceu.

No dia 16 de abril a partir das 17h ouvir-se-á na sala de exposição do Instituto Cervantes a música duma das vozes principais de contestação ao regime do Estado Novo, cuja canção “Grândola Vila Morena” iniciou de uma maneira simbólica a Revolução dos Cravos no dia 25 de abril de 1974. Às 18h seguir-se-á uma breve introdução à obra do artista.


Film

Ciclo 50 anos da Revolução dos Cravos

48

18 / 4 | 19h | MÍSTNOST 220, NA PŘÍKOPĚ 29, Praha

Celebra-se este ano, em Portugal, os 50 anos da Revolução dos Cravos, também conhecida como a Revolução de 25 de Abril, que pôs fim à ditadura salazarista. Os eventos de 25 de Abril de 1974 conduziram Portugal não só para a mudança de regime, mas também para o fim da guerra colonial, a realização de eleições livres, a democratização do país e a abertura de Portugal ao mundo. Para homenagear este evento histórico, preparamos o Ciclo Cinema 50 anos da Revolução dos Cravos em colaboração com o Departamento de Estudos Luso- Brasileiros da Faculdade de Letras da Universidade Carolina de Praga. Ao longo do ano poderão assistir a cinco filmes que abordam este tema de transição histórica.

48 (Susana Sousa Dias, 2009, 93 min)

São rostos. E vozes. Apenas isso. Minimalista. Em “48” Susana Sousa Dias leva-nos a olhar para as fotografias de presos dos arquivos da Pide e a ouvir as memórias que essas fotografias despertam neles tantos anos depois. São 16 imagens para contar 48 anos de fascismo – tudo fala da sociedade, os rostos, as roupas, a forma de estar. Não estão identificados por nomes nem idades porque valem por todos os presos políticos da ditadura. “Todas as fotografias têm uma história por detrás. O que me interessava era perceber o que a foto nos está a mostrar e o que nos está a esconder”. Um rosto de mulher com um sorriso aberto em pleno arquivo da Pide, por exemplo, o que é que nos diz? É a própria que, em voz off, nos explica como aquela imagem, aquele riso inconsciente no meio de um lugar de sofrimento, a perseguiu toda a vida. E o rosto daquele homem de cabelo claro? Por detrás dessa imagem estão já dias da tortura do sono – mas isso só ele próprio nos pode dizer. E aquela mulher que nos olha fixamente até a imagem se tornar quase abstracta, como uma pintura, e depois desaparecer no negro, apesar de os olhos parecerem continuar lá? “Há momentos em que olhamos para eles, outros em que eles olham para nós e outros em que olhamos para eles através do olhar deles”. “O filme procura estender aquele momento, uma fracção de segundo, em que eles enfrentam o opositor, olhos nos olhos”, diz a realizadora. A expressão que têm, esse olhar de desafio, é o último espaço de liberdade que têm. “Nunca lhes daria o gosto de me verem com cara de sofrimento”, diz uma das vozes. Susana achou que para contar toda a história das vítimas da Pide tinha que incluir também os africanos presos pela política política, mas como os arquivos de África desapareceram não há imagens. Por isso são planos negros, apenas com vozes, e os espectadores presos a essas vozes que falam de tortura e de sofrimento.

Em português com legendas em inglês. Entrada livre.


Filme + Palestra

50 anos do 25 de Abril

Salgueiro Maia – O Implicado

25 / 4 | 17h30 | Instituto Cervantes, Na Rybníčku 536, Praha

Salgueiro Maia – O Implicado (Sérgio Graciano, 2022, 115 min)

No âmbito das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, o Camões – Centro de Língua Portuguesa em Praga promove, no dia 25 de abril de 2024, a projeção do filme “Salgueiro Maia – O Implicado”, na sala de cinema do Instituto Cervantes de Praga. 

Salgueiro Maia – O Implicado, filme que retrata, pela primeira vez, a vida daquele que é considerado o herói e o símbolo mais puro e consensual do 25 de abril de 1974. Realizado por Sérgio Graciano, com guião de João Lacerda Matos, a partir da biografia de Salgueiro Maia, escrita em 1995 por António de Sousa Duarte, o fime é uma história de ficção baseada em factos históricos, relatos pessoais, revelações íntimas, e emoções reais de quem acompanhou o capitão ao longo de toda a vida. Através de uma abordagem moderna, intimista e emocional, “Salgueiro Maia – O Implicado” retrata as histórias que ainda não foram contadas sobre o Capitão de Abril. As pequenas revelações que permitem perceber melhor de onde vinha a moderação, a valentia, a educação e a firmeza com que sempre se apresentou publicamente, e que foram a chave para que a revolução dos cravos tenha sido como foi.

Fernando Salgueiro Maia nasceu a 1 de julho de 1944, em Castelo de Vide. Fez campanhas militares em Moçambique e na Guiné-Bissau, tendo ascendido ao posto de capitão em 1971. Como delegado da Arma de Cavalaria, fez parte da Comissão Coordenadora do Movimento das Forças Armadas (MFA). O momento que o tornou famoso foi no dia 25 de abril de 1974 quando comandou a coluna militar que partiu da Escola Prática de Cavalaria, em Santarém, ocupou a Praça do Comércio, cercou o Quartel do Carmo, em Lisboa e levou à rendição de Marcello Caetano, o presidente do governo.

A projeção do filme será antecedida por uma pequena palestra ministrada por Radek Buben (Centro de Estudos Ibero-Americanos da Universidade Carolina de Praga) e por Karolina Válová (Departamento de Estudos Luso-Brasileiros da Faculdade de Letras da Universidade Carolina de Praga) em que irão comentar o ponto de viragem na história portuguesa do século XX, a Revolução dos Cravos de 1974. Para além de uma reflexão sobre o período revolucionário em si, analisarão o impacto que este teve nas relações internacionais de Portugal, fazendo alusões à imagem da Revolução dos Cravos na imprensa checa da altura.

Em português com legendas em inglês. Entrada livre.